Muitas empresas de telecomunicações ainda têm dúvidas sobre o real alcance da NR 10 – Segurança em Instalações e Serviços com Eletricidade. Afinal, se os técnicos não mexem diretamente na rede elétrica, por que precisam de treinamento em NR 10?
Se você é gestor de uma empresa de instalação de fibra óptica, manutenção de internet ou serviços em postes, esse conteúdo é para esclarecer de vez essa dúvida e evitar falhas graves no seu sistema de segurança do trabalho.
Telecom vs. Eletricista: onde está o risco?
Vamos comparar dois cenários reais:
| Item | Técnico de Telecom | Eletricista de Rede |
|---|---|---|
| Atua diretamente na rede? | Não. Atua próximo da rede elétrica (baixa tensão, geralmente 220V/127V) | Sim |
| Manipula circuitos energizados? | Não | Sim |
| Exposição ao risco de arco elétrico? | Por proximidade | Sim |
| Obrigação de seguir NR 10? | Sim | Sim |
| Equipamentos energizados no raio de ação? | Sim (trafo, caixas, cabos BT, padrão de entrada) | Sim |
Mesmo que o técnico de telecom não atue com energia elétrica, ele trabalha em zonas de risco elétrico, conforme estabelece a norma IEEE 1584 e a própria NR 10.
O que diz a NR 10?
“Esta Norma Regulamentadora estabelece os requisitos e condições mínimas de implementação de medidas de controle e sistemas preventivos, de forma a garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores que, direta ou indiretamente, interajam com instalações elétricas.” (NR 10, item 10.1.1)
Ou seja: se o seu colaborador trabalha em postes, próximos a redes elétricas, ele precisa estar treinado para reconhecer os riscos e agir com segurança.
Quais os riscos mais comuns nas equipes de telecom?
- Contato acidental com rede energizada (BT);
- Queima de equipamentos por arco elétrico;
- Choque durante manuseio de elementos metálicos em postes;
- Péssimo uso de EPI por falta de orientação sobre risco elétrico.
Esses eventos, embora raros, quando ocorrem, geram passivo trabalhista, bloqueio de contratos e até óbito.
NR 10 e telecom: o que precisa ser feito?
- Treinamento básico de NR 10 (40h): obrigatório para qualquer atividade próxima à rede elétrica.
- Treinamento complementar NR 10 SEP (Segurança em Instalações Elétricas em Alta Tensão): caso a atividade envolva presença em áreas de subestação ou rede primária.
- Análise de risco por atividade: incorporada ao seu PGR – Programa de Gerenciamento de Riscos.
- Procedimento Operacional Padrão (POP): descrevendo cada atividade, EPIs e isolamento mínimo.
Mas e os EPIs? Eles também precisam ser conforme a NR 10?
Sim e esse é um dos erros mais comuns em empresas de telecom.
Mesmo que o técnico não mexa diretamente com energia, se ele atua em zona de risco elétrico, os EPIs utilizados devem seguir exigências da NR 10 e estar adequados ao nível de tensão do entorno (ex: rede BT até 1000V).
Não adianta usar capacete comum, luva de raspa ou óculos simples. Eles não protegem contra risco elétrico.
Mas por que a NR 10 se aplica à telecom?
Mesmo que o técnico não opere a rede elétrica, ele trabalha dentro da zona de risco elétrico, onde pode ocorrer:
EPIs mais utilizados em campo para telecom (quando há risco de choque ou arco elétrico):
- Capacete classe B (dielétrico) com jugular de 3 pontos
- Protetor facial ou viseira acoplada ao capacete (para arco elétrico)
- Luva isolante de borracha (classe 00 ou 0) com luva de cobertura de vaqueta por cima
- Calçado de segurança isolante (botina dielétrica com CA para 1000V)
- Óculos de proteção com tratamento antirrisco e antiembaçante (quando há fibra óptica, poeira ou arame)
- Cinturão tipo paraquedista com talabarte duplo e absorvedor de energia (NR 35 + risco elétrico)
Tudo isso precisa estar com CA válido e compatível com a atividade.
Se não estiver… mesmo sem contato direto com a rede, a empresa responde solidariamente em caso de acidente.
1. Aproximação acidental
O técnico posiciona a escada no poste, e ao manobrar o bastão ou a roldana, encosta involuntariamente em um cabo energizado.
Resultado? Choque, queda e possível óbito.
2. Uso de EPI inadequado ou ausente
É comum ver técnicos de telecom sem óculos de proteção dielétrico e usando tênis comum ou botina sem isolação elétrica.
Imagine a seguinte situação:
Durante uma instalação de fibra, o técnico está em altura, próximo à rede BT, com suor escorrendo pela testa e o corpo apoiado no poste metálico.
Ao puxar um drop com a mão molhada e sem luva isolante, ele encosta com o rosto próximo da caixa de passagem. Um arco elétrico ou falha de isolação pode atingir diretamente o olho e os pés, causando queimadura ocular, fibrilação cardíaca ou morte imediata.
O EPI não está ali só por protocolo — ele é a última barreira entre a vida e o acidente fatal.
3. Arco elétrico por curto entre rede e ferramenta metálica
Um simples fio de fibra óptica tensionado pode, em determinadas condições, tocar a fiação energizada. Se isso causar curto, o arco elétrico gerado atinge até 3.000 ºC e pode causar:
- Queimaduras graves;
- Danos auditivos;
- Incêndios;
- Explosão do capacete ou fusão da viseira.
Exemplo prático: Instalação de fibra óptica em poste
- A instalação acontece a 30 cm da rede BT;
- O técnico utiliza escada de fibra;
- Há risco de arco elétrico ao encostar involuntariamente na rede;
- A empresa não forneceu capacete com protetor facial dielétrico nem luva isolante;
- Resultado: empresa multada pela fiscalização e colaborador afastado.
Como se adequar sem travar suas operações?
A MedSafe oferece:
✅ Treinamentos NR 10 com instrutores especializados no setor de telecom;
✅ Elaboração completa de PGR, PCMSO e POPs para atender contratos com concessionárias e operadoras;
✅ Apoio em auditorias, fiscalizações e eSocial;
✅ Consultoria prática para implementação de SST sem burocracia.
📲 Converse agora mesmo com um especialista da MedSafe e organize sua operação com segurança e conformidade:
👉 Clique aqui para atendimento direto no WhatsApp