Em muitos centros de distribuição (CDs), especialmente os que operam com paletização vertical, é comum encontrar estruturas de armazenagem com alturas superiores a 1,90 metros sejam porta-pallets, estruturas metálicas ou áreas de estocagem com empilhadeiras.
Mas surge a dúvida: é obrigatório o uso de capacete nesses ambientes?
Por causa dessa duvida vamos responder: Sim, e vamos explicar o porquê técnico e normativo dessa exigência e o que isso muda no dia a dia da segurança.
Por que 1,90 m é um limite de atenção?
A altura de 1,90 m não é aleatória.
Ela é reconhecida como limite de risco real de impacto na cabeça por queda de objetos, ferramentas, embalagens ou até componentes da estrutura de estocagem.
Em ambientes onde há movimentação vertical de carga acima desse limite, os trabalhadores que atuam embaixo ou ao redor da estrutura ficam sujeitos a:
- Queda de volumes;
- Impacto de materiais mal acondicionados;
- Deslocamento de carga por empilhadeira;
- Vibração ou movimentação que desestabiliza itens nas prateleiras.
O que dizem as normas?
A exigência é respaldada por diversas normas:
NORMA 06 – Equipamentos de Proteção Individual
O capacete de segurança é EPI obrigatório quando houver riscos de impacto por queda de objetos sobre a cabeça.
NR 11 – Transporte, Movimentação, Armazenagem e Manuseio de Materiais
Exige que a movimentação de materiais seja feita com segurança e que os riscos de queda de objetos sejam controlados com EPCs e EPIs.
A NR 17 – Ergonomia
Determina que o layout de armazenagem deve prevenir acidentes por sobrecarga ou inadequação de espaço.
O que isso muda na rotina do TST?
Contudo o que o Técnico de Segurança do Trabalho deve:
- Mapear as áreas com armazenagem acima de 1,90 m e classificar como áreas de risco de impacto;
- Determinar o uso obrigatório de capacete nestes locais, especialmente em horários de movimentação de carga;
- Incluir essa exigência na OS (Ordem de Serviço) e no plano de treinamento;
- Orientar a equipe de forma clara sobre o motivo técnico, evitando banalização do uso do EPI;
- Registrar no PGR essa exigência como medida de controle do risco mecânico.
Devemos ficar atentos a:
- Trabalhadores que atuam em atividades de picking, separação e conferência;
- Funcionários de limpeza, manutenção ou fiscais que circulam entre as estruturas;
- A movimentação com empilhadeiras, paleteiras, transpaleteiras e carrinhos;
- Regiões onde há carga acima por causa de do campo de visão direta do trabalhador.
O que interfere no PGR?
O PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) deve conter:
- O risco de queda de materiais sobre o trabalhador;
- A medida de controle “uso obrigatório de capacete de segurança com CA válido”;
- A análise do layout como parte da avaliação de riscos do ambiente físico;
- Se possível, propor EPCs complementares, como telas antiespalhamento ou contenção lateral em estantes.
O que interfere no treinamento da NR 06?
O treinamento deve incluir:
- Explicação sobre o motivo técnico do uso de capacete;
- Diferença entre capacete;
- Como verificar o CA do capacete, o estado de conservação e validade;
- Reforço prático com simulações de queda de objetos em ambiente controlado (se possível);
- Instrução para uso correto da jugular em áreas com risco de queda de objetos.
Contudo o uso de capacete em CD
| Situação | Uso de capacete é obrigatório? |
|---|---|
| Armazenagem até 1,50 m, sem risco de queda | Não, desde que comprovado no PGR |
| Armazenagem entre 1,50 m e 1,90 m, com empilhamento manual | Sim, se houver risco de queda ou deslizamento |
| Armazenagem acima de 1,90 m | Sim, uso de capacete com CA obrigatório |
| Presença de empilhadeira e movimentação vertical | Sim, inclusive para visitantes e fiscais |
| Separação de pedidos no entorno da estrutura | Sim, mesmo que o trabalhador não opere carga |
Conclusão
Portanto mesmo em ambientes fechados, o uso de capacete é fundamental quando há risco real de impacto na cabeça e isso inclui a maioria dos CDs com porta-pallets altos ou movimentação vertical de cargas.
O TST não deve esperar um acidente para exigir o EPI.
A prevenção começa com um mapeamento bem feito, regras claras e orientação prática.
A MedSafe pode te ajudar a estruturar seu PGR, revisar os treinamentos de NR 06 e implantar um plano de uso de EPIs com base na realidade do seu centro de distribuição.